
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está no centro de escândalos intensos sobre um acordo de delação premiada que poderia expor conexões com figuras de alto escalão dos Três Poderes.
A possibilidade ganhou força após a renúncia do advogado Walfrido Warde, conhecido por sua posição contrária a delações premiadas, da equipe de defesa do banqueiro.
A defesa de Vorcaro negou veementemente qualquer negociação ou proposta de colaboração premiada, afirmando que a informação não corresponde à realidade e que não houve tratativa formal ou informal.
Saída de advogado acende alertas em Brasília
A renúncia de Warde ocorreu nesta quarta-feira (21), em meio a divergências internas na estratégia de defesa.
O advogado era contra a ideia de delação, enquanto o avanço das investigações — incluindo a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central — pressiona o empresário.
Nos últimos dois anos, Vorcaro contratou advogados de peso, como o ex-presidente Michel Temer e o escritório ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, com gastos que superam R$ 500 milhões em honorários.
Investigação avança no STF e no BC
A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, investiga crimes como gestão fraudulenta, temerária e organização criminosa no banco.
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 na primeira fase da operação, mas foi solto posteriormente.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição devido a graves irregularidades, o que deve gerar rombo bilionário no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
No Supremo Tribunal Federal, o inquérito foi prorrogado por mais 60 dias pelo ministro Dias Toffoli, que decretou sigilo absoluto no caso. Além de manter envolvimento suspeito com o Banco Master, com pareceres favoráveis a Vorcaro e ao Banco.
Vorcaro enfrenta ainda a indisponibilidade de bens decretada pelo BC, agravando sua situação financeira e jurídica.
Possível delação pode impactar o destino do banco e a política
Analistas apontam que uma eventual colaboração premiada de Vorcaro teria potencial para sacudir Brasília.
A simples possibilidade de delação explosiva já é vista como um ativo forte para negociações políticas que poderiam levar à devolução do controle do banco em troca de silêncio.