Perda de rentabilidade

Entenda o motivo que trava pagamentos do FGC e deixa quem investiu em CDBs do Master no limbo

Demora inédita no envio da lista de credores impede ressarcimento e amplia prejuízo invisível para quem investiu.

Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo
Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo
  • FGC ainda não paga CDBs do Banco Master por falta da lista de credores
  • Atraso já é o maior registrado em mais de uma década
  • Investidores sofrem perda de rentabilidade enquanto aguardam ressarcimento

Os investidores em CDBs do Banco Master seguem sem acesso ao dinheiro quase dois meses após a liquidação decretada pelo Banco Central, em um atraso sem precedentes recentes no FGC.

Apesar da garantia legal de até R$ 250 mil por CPF, o fundo ainda não iniciou os pagamentos porque o banco liquidado não enviou a lista oficial de credores, etapa obrigatória do processo.

Por que o FGC ainda não pagou

Primeiramente, o FGC depende do envio formal da lista de credores pelo banco liquidado para iniciar os ressarcimentos. Sem esse documento, o processo não avança.

No caso do Banco Master, o liquidante ainda consolida informações das três instituições envolvidas, o que tem atrasado o cronograma e ampliado a incerteza dos investidores.

Além disso, o prazo já supera todos os casos registrados pelo fundo nos últimos 11 anos, tornando a liquidação do Master um marco negativo na história do FGC.

Risco jurídico aumenta a incerteza

Enquanto isso, a possibilidade de uma reversão da liquidação adiciona novos riscos ao processo. O caso é analisado pelo TCU e pelo STF.

Caso a liquidação seja revertida, a responsabilidade pelos pagamentos voltaria ao Banco Master, que enfrenta grave crise de liquidez, segundo o próprio Banco Central.

Nesse cenário, o fluxo de recebimento dos CDBs ficaria ainda mais incerto, elevando o risco para investidores que aguardam o ressarcimento.

O prejuízo que o FGC não cobre

Além do valor principal, existe um custo silencioso: o custo de oportunidade. O FGC paga apenas os rendimentos até a data da liquidação.

Desde então, o dinheiro ficou parado, sem render juros ou inflação, enquanto aplicações conservadoras continuaram remunerando normalmente.

Na prática, investidores em CDBs do Master passaram a ter retorno inferior ao Tesouro Selic, mesmo tendo assumido mais risco.

O que o investidor deve fazer agora

Apesar da demora, especialistas recomendam não tentar atalhos judiciais ou promessas de liberação antecipada, que costumam ser golpes.

O mais importante é baixar o aplicativo oficial do FGC, realizar cadastro completo e manter documentos atualizados.

Além disso, guardar extratos e comprovantes das aplicações é essencial para eventuais correções na lista de credores.

O que o FGC cobre e o que vira perda

O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF, somando principal e rendimentos devidos até a data da liquidação do banco.

Qualquer valor acima desse limite se transforma em crédito contra o Banco Master, que o investidor precisará disputar judicialmente.

Além disso, o órgão não indeniza o período sem remuneração, o que amplia o impacto financeiro da demora no pagamento.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.