Escala 6x1

Fim da escala 6x1 resultará em aumento de custos para a população

Entidade critica a falta de transparência na proposta que reduz jornada de trabalho e mantém salários. Rio de Janeiro deve ser um dos estados mais afetados

Restaurante
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A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) alerta que a proposta de redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários, vem sendo apresentada de forma incompleta e pouco transparente. Na visão da entidade, falta explicar os custos reais do fim da escala 6×1. Contrariando a ideia inicial de que a proposta teria ampla aceitação popular, a proposta tende a perder apoio à medida em que os impactos econômicos e sociais se tornam mais claros para a população.

Em setores com mão de obra intensiva — como bares e restaurantes, hospitais, serviços públicos de limpeza urbana, abastecimento de água e esgoto — manter o mesmo nível de funcionamento com menos dias trabalhados exigirá aumento significativo de despesas. Esses custos tendem a ser repassados ao consumidor, podendo resultar ainda na redução de horários e serviços.

No Rio de Janeiro, onde bares e restaurantes já enfrentam dificuldades históricas para contratação de profissionais, o impacto pode ser ainda mais severo. Para o presidente da Abrasel-RJ, Maurício Costa, a proposta desconsidera a realidade operacional do setor e pode comprometer não apenas a sustentabilidade dos negócios, mas também a oferta de empregos, especialmente em bairros e cidades mais pobres do estado.

“O setor de alimentação fora do lar é favorável à melhoria das condições de trabalho e à valorização dos profissionais. No entanto, mais preocupante do que a redução da jornada seria a proibição da escala de seis dias na semana. O nosso setor funciona sete dias por semana, na maioria dos casos. Essa atividade acontece tanto em dias úteis quanto nos finais de semana e feriados. No Rio de Janeiro, por conta da nossa vocação turística, essa dinâmica é ainda mais intensa. Vale destacar que o impacto será mais forte justamente nos bairros e cidades mais pobres”, afirma Maurício Costa.

A economia fluminense possui forte ligação com o turismo, o lazer e a alimentação fora do lar. Nesse cenário, segundo a Abrasel-RJ, o fim da escala 6×1 poderá afetar diretamente o funcionamento do comércio e o acesso da população aos serviços, com impacto ainda maior nas regiões menos desenvolvidas.

“A falta de mão de obra já é uma realidade em vários setores, incluindo o nosso. Temos a convicção de que as regiões menos favorecidas acabarão tendo menor oferta de comércio e serviços, porque não conseguirão competir com grandes marcas instaladas em cidades e bairros mais ricos. É isso que queremos enquanto sociedade: aprofundar essa desigualdade na oferta? Acredito que não. Por isso, é fundamental um debate mais profundo, que considere todos os impactos que essa medida pode gerar. Propor essa mudança em caráter de urgência, sem um amplo estudo, não é uma forma responsável de tratar um assunto tão sensível como esse”, completa Costa.

Até agora, o debate público tem se concentrado principalmente no benefício aparente de trabalhar menos mantendo a mesma renda. No entanto, segundo a Abrasel, pouco se discute sobre os custos reais dessa mudança. Entre eles, o aumento das despesas operacionais, a pressão sobre os preços, a dificuldade de reposição de mão de obra e a possível redução na oferta de serviços essenciais e de atendimento ao consumidor.

Para a Abrasel, a tentativa de acelerar a tramitação da proposta sem um debate amplo e transparente revela um viés político que ignora a complexidade do tema. O presidente nacional da entidade, Paulo Solmucci, afirma que a discussão precisa sair do campo do discurso simplificado e avançar para a análise concreta dos efeitos econômicos.

“É natural que as pessoas gostem da ideia de trabalhar menos e ganhar o mesmo. O problema é vender esse conceito como se fosse um nirvana, escondendo os custos e os efeitos colaterais. Quando a sociedade passa a conhecer a conta, a opinião começa a mudar”, afirma Solmucci.

Segundo ele, não existe benefício sem custo correspondente. “Para sustentar esse benefício, o Brasil precisaria ganhar produtividade, o que não tem acontecido. Esse custo virá na forma de aumento de preços, redução de serviços ou perda de competitividade. Aprovar uma medida estrutural dessa natureza às pressas, sem transparência, é transferir a conta para o consumidor e, principalmente, para os mais pobres, que terão menor oferta de serviços”, conclui.

Para medir essa mudança de percepção, a Abrasel encomendou uma pesquisa nacional que será realizada entre os dias 4 e 6 de maio. A expectativa da entidade é que o levantamento confirme duas tendências simultâneas: a redução do apoio à proposta e o aumento da rejeição, especialmente quando a população compreende de forma mais objetiva os impactos econômicos da medida.

Fernando Américo
Fernando Américo

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.