
O governo Lula recebeu, em março de 2024, uma proposta formal para incluir o Banco Master no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), em um modelo que permitiria a participação de instituições financeiras privadas sem subordinação à Caixa Econômica Federal (CEF). A iniciativa partiu de Ricardo Leyser Gonçalves, ex-ministro do Esporte no governo Dilma Rousseff (PT), que atuava como diretor da VBG Engenharia e Empreendimentos na época.
Detalhes da Proposta
De acordo com documentos obtidos e revelados pela coluna de Paulo Cappelli no portal Metrópoles, Leyser enviou um ofício de 16 páginas ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, defendendo a inclusão do Banco Master, ao lado de outros como o Banco Digimais e o Banco Genial. O objetivo era permitir que bancos privados recebessem recursos da União para contratar construtoras e executar obras de moradia em municípios com até 80 mil habitantes, criando uma “capacidade de execução paralela” à CEF.
Leyser argumentou que instituições privadas são mais ágeis e flexíveis, especialmente para os mais de 5 mil municípios pequenos, e que qualquer subordinação à CEF inviabilizaria a participação delas, contrariando a Lei Federal Nº 14.620 de 2023, que recriou o programa. A proposta foi discutida em reuniões com a Secretaria Nacional de Habitação (SNH) e em 23 estados, envolvendo mais de 1,2 mil gestores municipais.
Resposta e avanço da Proposta
Fontes do governo relataram que Leyser pressionou para as reuniões, mas a modalidade “Oferta Pública Sub-80” não avançou por falta de regulamentação e dotação orçamentária. O Ministério das Cidades confirmou o recebimento da proposta, mas enfatizou que ela nunca foi implementada.
Em resposta às revelações, Leyser afirmou que sua atuação seguiu “os mais rígidos padrões de transparência” e normas legais, sem qualquer remuneração envolvida. Ele destacou que a agenda foi pública e protocolada, visando habilitar instituições autorizadas pelo Banco Central no programa.
O Banco Digimais, mencionado na proposta, é controlado pelo Grupo Record e pertence ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A instituição foca em crédito consignado e financiamento de veículos, e em janeiro de 2025, foi adquirida por Maurício Quadrado, ex-acionista do Banco Master, com injeção de R$ 800 milhões.
A proposta ganhou contornos polêmicos após o Banco Central decretar, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master devido a fraudes estimadas em R$ 12,7 bilhões. Críticos, como em postagens nas redes sociais, ligaram o caso a supostas irregularidades no PT, chamando-o de “escândalo” e questionando a mistura de corrupção com programas sociais.