
Em meio a uma falta de consenso entre o Ministério da Educação (MEC), estados, municípios e representantes sindicais, o governo federal anunciou um reajuste inicial de apenas 0,37% no piso salarial dos professores da educação básica para 2026. Isso equivale a um aumento de R$ 18,10 sobre o valor atual de R$ 4.867,77.
Essa proposta, abaixo da inflação projetada para 2025 (IPCA de 4,4% e INPC de 4,7%), gerou forte reação negativa de sindicatos e educadores, que criticam o cálculo baseado na Lei do Magistério de 2008, impactado pelas mudanças no Fundeb em 2020 e pela redução no número de alunos matriculados.
Sem acordo
O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que o MEC busca um novo mecanismo de cálculo para o reajuste, mas o grupo de trabalho formado em 2023 – composto por MEC, Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação), Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) – não chegou a um acordo. A última reunião ocorreu em outubro, e um encontro previsto para dezembro foi cancelado.
A CNTE defende um aumento de 6,25%, o que elevaria o piso para R$ 5.172, garantindo um reajuste real de 1,85% acima da inflação. Já o Consed propõe um aumento compatível com a capacidade financeira dos estados, mas sem apresentar dados transparentes sobre impactos orçamentários, segundo críticas da CNTE.
A decisão inicial do MEC, que deve ser oficializada até 31 de janeiro, pode trazer problemas eleitorais para o presidente Lula, que já está em preparativos para ser candidato novamente a eleições em 2026. O baixo reajuste provocou revolta entre professores, com reações em redes sociais qualificando o aumento como “inacreditável” e “miserável”.