Potencial travado

XP vê safra recorde, mas mantém cautela com SLC (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3)

Excesso de oferta global pressiona margens e limita catalisadores para as ações do agronegócio.

agronegocio
agronegocio
  • XP mantém recomendação neutra para SLCE3 e AGRO3
  • Safra recorde pressiona preços e margens no curto prazo
  • Excesso de oferta global limita o potencial das ações

A XP Investimentos divulgou a prévia de resultados do 4T25 para o agronegócio e manteve recomendação neutra para SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3).

Apesar do recorde da safra de soja no Brasil, a instituição avalia que o aumento da oferta global reduz margens e limita o potencial de valorização das ações.

Safra forte gera efeito misto no setor

O volume recorde de soja melhora a produtividade agrícola e sustenta a receita operacional das companhias.

Por outro lado, o avanço da produção brasileira somado aos estoques elevados nos Estados Unidos reforça um cenário de excesso de oferta no curto prazo.

Portanto, segundo a XP, o mercado segue em um ambiente de pressão sobre preços, caracterizando um ciclo negativo guiado pela oferta.

SLC (SLCE3) perde catalisadores no curto prazo

Para a SLC Agrícola (SLCE3), a XP reduziu o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 18,60 para R$ 16,40.

Ademais, a instituição projeta receita líquida estável e queda da margem bruta, com preços mais fracos de soja e algodão.

Desse modo, os preços do milho devem ajudar a compensar parte da pressão, mas sem gerar novos catalisadores relevantes para a ação.

BrasilAgro (AGRO3) tem cenário operacional mais equilibrado

No caso da BrasilAgro (AGRO3), a XP vê um desempenho agrícola ligeiramente melhor, após um ano afetado por problemas climáticos.

Além disso, a melhora operacional contribui para resultados mais estáveis no curto prazo.

Ainda assim, o negócio imobiliário rural deve focar mais em aquisições do que em vendas, o que pesa sobre o valuation.

Mercado reage de forma distinta às ações

Durante o pregão, a SLCE3 avançava 1,33%, negociada a R$ 16,03.

Já a AGRO3 recuava 0,84%, cotada a R$ 21,25, refletindo a cautela do mercado.

Por fim, a XP manteve o preço-alvo de R$ 22,50 para a BrasilAgro, reforçando a postura neutra.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.