
- Raízen (RAIZ4) e GPA (PCAR3) deixaram o Ibovespa após entrarem em recuperação extrajudicial.
- Raízen acumula cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e sofreu rebaixamento de rating em CRAs ligados ao grupo.
- GPA tenta renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas com bancos e outros credores.
A crise financeira de Raízen (RAIZ4) e Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) chegou ao principal termômetro da bolsa brasileira. Agora, a B3 retirou os papéis do Ibovespa, depois que as duas companhias iniciaram processos de recuperação extrajudicial e sofreram forte deterioração no mercado.
Além disso, a operadora da bolsa também removeu as ações de diversas outras carteiras. Assim, a saída reflete queda de liquidez, desvalorização dos papéis e aumento do risco de crédito das companhias.
Crise derruba presença no Ibovespa
A B3 aplicou os critérios previstos no Manual de Definições e Procedimentos dos Índices para retirar as empresas das carteiras. Dessa forma, a decisão seguiu as regras que definem liquidez e relevância de mercado.
No caso do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), a bolsa retirou as ações de 19 índices adicionais além do Ibovespa. Já a Raízen (RAIZ4) perdeu espaço em 15 outras carteiras.
Enquanto isso, a situação da Raízen já pressionava investidores há meses. Antes mesmo da recuperação extrajudicial, RAIZ4 passou 42 pregões consecutivos abaixo de R$ 1, condição típica de penny stock. Além disso, em um intervalo de 12 meses, as ações acumularam 155 sessões negociadas na casa dos centavos.
Dívidas bilionárias e rebaixamento de crédito
A crise se intensificou quando a Justiça de São Paulo autorizou o processamento da recuperação extrajudicial da Raízen, operação que envolve cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, a maior do tipo já registrada no Brasil.
Além disso, o plano já reúne adesão inicial de cerca de 47% dos credores, o que permite o avanço da negociação com investidores.
Enquanto isso, a Fitch Ratings reduziu o rating de diversos CRAs ligados à companhia. A agência cortou a nota para “Csf(bra)”, após classificação anterior de “CCCsf(bra)”, o que sinaliza deterioração relevante no risco de crédito.
Esses Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) possuem lastro em debêntures da Raízen Energia, subsidiária que concentra grande parte da dívida operacional do grupo.
GPA também busca reestruturação financeira
Ao mesmo tempo, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) também tenta reorganizar sua estrutura financeira. O plano de recuperação extrajudicial envolve cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.
Entre os credores aparecem instituições como Itaú, HSBC e Casas Bahia, empresa que já integrou o mesmo grupo controlador ligado à rede Pão de Açúcar.
Portanto, a saída das duas companhias do Ibovespa evidencia a gravidade da crise enfrentada pelas empresas. Agora, ambas tentam renegociar dívidas, estabilizar as operações e recuperar a confiança do mercado.