
- A RD Saúde (RADL3) caiu 25% em seis meses, pressionada pelas incertezas no mercado de medicamentos GLP-1.
- O Goldman Sachs mantém recomendação de compra e vê potencial de valorização superior a 30%.
- O mercado brasileiro de GLP-1 pode atingir R$ 23,1 bilhões em 2027, apesar da queda esperada nos preços.
A RD Saúde (RADL3) acumula queda de 25% nos últimos seis meses, enquanto o Ibovespa avançou 5% no mesmo período. Segundo o Goldman Sachs, a forte desvalorização reflete principalmente as incertezas sobre o mercado brasileiro de medicamentos GLP-1.
Nesse cenário, a expiração da patente do Ozempic, a chegada de concorrentes mais baratos e os descontos no Mounjaro aumentaram a cautela. O mercado teme que o crescimento das vendas não compense integralmente a esperada queda dos preços desses medicamentos.
Goldman mantém compra para RD Saúde
Apesar da pressão, o Goldman Sachs ainda enxerga uma oportunidade atrativa nas ações. O banco reduziu o preço-alvo de R$ 28 para R$ 25, mas manteve a recomendação de compra, com potencial de valorização superior a 30% sobre os níveis considerados no relatório.
Além disso, o Goldman cortou em 13% sua projeção para o lucro líquido de 2027. Ainda assim, os analistas destacam a demanda relativamente inelástica do setor farmacêutico, o envelhecimento da população e o histórico de ganhos de participação de mercado da companhia.
Por isso, o banco continua classificando a RD Saúde como uma tese de crescimento de alta qualidade. Entretanto, a disputa no mercado de canetas emagrecedoras deve manter a volatilidade elevada no curto prazo.
GLP-1 deve crescer com preços menores
O Goldman projeta que o mercado formal de GLP-1 no Brasil alcance R$ 23,1 bilhões em 2027, com crescimento de 32%. A estimativa anterior apontava expansão de 38%.
Ao mesmo tempo, o banco espera que o ticket médio caia 30%, para R$ 900. Em contrapartida, o volume comercializado deve crescer 37%, alcançando 25,5 milhões de caixas.
Para a RD Saúde, a receita com esses medicamentos deve desacelerar de um crescimento de 63% em 2026 para 24% em 2027. Mesmo assim, a categoria poderá representar 12,5% das vendas totais, mantendo os GLP-1 como um importante vetor para os resultados da companhia.