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Investidores buscam ativos reais para diversificar suas carteiras

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A alta volatilidade das Bolsas de Valores e dos títulos públicos está fazendo com que muitos investidores tradicionais passem a olhar com mais atenção para ativos alternativos como forma de diversificação de suas carteiras. Entre esses ativos, destaque para as startups com boas chances de se tornarem grandes e lucrativas companhias. Tal busca, na maioria dos casos, ocorre com base em conselhos dados por especialistas de casas de análises ou mesmo de corretoras e gestoras.

Nos últimos meses, o Ibovespa praticamente devolveu toda a valorização do ano e caminha para fechar praticamente no zero a zero, próximo ao patamar de 104 mil pontos. A pergunta de quem toma risco na renda variável, ainda mais em um cenário de inflação alta é: vale o risco? Outras opções não estão muito diferentes, as taxas de rentabilidade dos títulos públicos negociados Tesouro Direto surpreenderam esta semana ao operarem em baixa.

Se a renda variável e os títulos públicos não estão rendendo, a saída tem sido a busca por ativos alternativos, que consistem em aplicações diretas na economia real. No caso específico de uma startup, o investidor passa a ser sócio da empresa e à medida que ela vai crescendo, o capital disponibilizado avança proporcionalmente.

Apesar de indicarem a aplicação em startups e em outros ativos reais, agentes do mercado aconselham ao investidor nunca ir com muita sede ao pote. Mesmo que o intermediário da operação seja extremamente confiável e a avaliação da empresa tenha sido bem-feita. Sidney Lima, da casa de análises Top Gain, lembra que a ideia é diversificar, sendo assim, o valor aportado deve representar um pequeno percentual do capital disponível.

“O aconselhável é aportar entre 5% e 10% dos recursos disponíveis. É preciso entender que a diversificação visa mitigar riscos. Quem investe em startup pode obter bons retornos, principalmente se ela crescer a ponto de poder abrir o capital na bolsa de valores. Mas se algo der errado, o prejuízo será pequeno porque a maior parte do dinheiro estará distribuída em diversos outros ativos de renda variável e de renda fixa”, explica.

Longo prazo

Outro ponto a ser considerado é que ativos reais são investimentos de baixa liquidez, ou seja, ao alocar recursos é preciso esperar o período estipulado no contrato para sacar o dinheiro. Saques feitos antes do prazo resultam no pagamento de taxas sem nenhum rendimento o que gera uma pequena perda do capital. Sendo assim, só se deve investir aquele valor que não fará falta até o vencimento do contrato.

“É uma aplicação de médio ou longo prazo. Nesse período o capital investido pode ser multiplicado várias vezes dependendo do desempenho da startup. Claro que há riscos, mas eles podem ser mitigados com uma boa diligência. Como se trata de um trabalho muito criterioso, os interessados podem aplicar em startups por meio de plataformas especializadas, que fazem toda a análise necessária”, diz Igor Romeiro, fundador da Efund Investimentos.

Romeiro disse já ter notado que boa parte dos investidores que procuram a Efund receberam de seus gestores de investimento alguma indicação para diversificar em ativos alternativos, entre eles o investimento direto em empresas.

“Muitos têm nos procurado depois de algum gestor sugerir a Efund e nossos ativos. Isso nos agrada bastante, pois demonstra que temos um bom processo de seleção, focado em mitigar o risco e consequentemente trazermos ótimas startups para os investidores”, comenta.

Um ponto positivo é que as startups brasileiras seguem em pleno crescimento. Dados do relatório 2021 Wrapped Brazilian Startups elaborado pela plataforma Sling mostram que 2021 foi um ano histórico para o setor, com aumento de 200% no volume aportado nas startups brasileiras, que contrataram mais de 100 mil pessoas. Além disso, de acordo com o Anjos do Brasil, o volume de investimento anjo aumentou em 17% no ano passado em comparação a 2020, voltando aos níveis pré-pandemia de 2019. No ano passado, foi aportado mais de R$ 1 bilhão pelos investidores anjos brasileiros. O número de investidores apresentou um aumento menor, de 13%, e hoje, são 7.834 investidores anjo no Brasil.

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Só no ano passado, o Brasil ganhou dez unicórnios (empresas que faturam mais de US$ 1 bilhão) e há outras dezenas de candidatas a integrar este grupo. Desde a primeira startup bilionária brasileira lançada em 2018, o país já contabiliza 24 unicórnios e a estimativa é de chegar a 100 em 2026, segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

Descorrelação

Arthur Farache, CEO da Hurst Capital, plataforma especializada em ativos alternativos, também aponta a descorrelação com a Bolsa como um ponto muito positivo para o investidor.

“Embora também se trate de um investimento de renda variável, a volatilidade e os riscos são bem menores, pois não há efeito direto de boatos ou de decisões políticas que costumeiramente afastam investidores como ocorre na Bolsa. E os ganhos podem ser muito altos”, comenta.
 

Maior originadora de ativos alternativos da América Latina, a Hurst não atua no mercado de startups. O foco dela está na originação de outros tipos de ativos alternativos como royalties musicais, obras de arte, imobiliários, produção de filmes para cinema, entre outros. A rentabilidade projetada desses ativos varia de 10% a 30% ao ano, muito acima da renda fixa.
 

“Quem coloca dinheiro nesses ativos está investindo na economia real, ou seja, em algum empreendimento que gera emprego, renda, paga impostos, e tem como finalidade última garantir lucro para o empreendedor e seus investidores. Quem lança um condomínio residencial, o faz para vender todos os imóveis. Da mesma forma, quem abre uma startup, quer vender seu produto ou serviço para o máximo de clientes. E isso dá retorno”, comenta Farache.

Tecnicamente, os ativos disponíveis para investimentos nas plataformas especializadas, sejam royalties musicais, obras de arte ou startups, são aqueles com mais chances de obterem sucesso. Mesmo assim, antes de colocar qualquer quantia, o investidor deve avaliar com atenção os procedimentos de avaliação.

“É preciso questionar se a seleção da empresa que entrará em uma rodada de investimentos foi rigorosa, saber se a solução ou produto é interessante para o mercado e se o crescimento da empresa se dá de forma orgânica e consistente e quais documentos foram analisados. Veja também se os sócios são adeptos do modelo skin in the game, ou seja, se eles também investem no ativo que estão oferecendo. Se a resposta for sim, é uma demonstração de que o ativo é confiável”, aconselha Igor Romeiro, da Efund.

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