
O Copom deve manter a Selic em 15,00% ao ano na reunião de janeiro, sem mudanças relevantes na comunicação, de acordo com relatório do Santander Brasil. A avaliação é de que o cenário macroeconômico segue compatível com uma política monetária contracionista prolongada.
Mesmo com a desaceleração da inflação cheia, o Banco Central ainda vê pressão nos núcleos e nos serviços, o que elimina espaço para corte imediato de juros, segundo a projeção para o horizonte relevante.
Inflação desacelera, mas núcleos seguem pressionados
A inflação oficial encerrou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo de tolerância, após o IPCA de dezembro subir 0,33%. Ainda assim, os núcleos e os preços de serviços permanecem elevados, reforçando a postura cautelosa do Copom.
A projeção do BC para o 3º trimestre de 2027 segue em 3,2%, patamar considerado incompatível com um início de flexibilização da política monetária no curto prazo.
Além disso, as expectativas de inflação melhoraram apenas marginalmente, permanecendo acima do centro da meta, segundo dados do relatório Focus utilizados na simulação do Santander.
Atividade resiste e mercado de trabalho segue apertado
Os dados de atividade mostram moderação com resiliência. O IBC-Br avançou 0,7% em novembro, com destaque para o varejo, enquanto indústria ficou estável e serviços recuaram levemente.
O mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego em 5,2% e crescimento dos salários reais, fator que sustenta a demanda e dificulta uma desaceleração mais rápida da inflação.
Esse conjunto reforça a leitura de que a política monetária precisa permanecer restritiva por período prolongado.
Corte de juros só deve começar em março
O cenário-base do Santander aponta manutenção da Selic em janeiro e primeiro corte de 0,25 ponto percentual apenas em março, condicionado à melhora adicional das expectativas inflacionárias.
A projeção considera que o IPCA em 12 meses pode recuar para cerca de 3,3% até março, além da manutenção da estabilidade do câmbio.
Mesmo assim, o Copom pode apenas introduzir linguagem de flexibilidade futura, sem assumir qualquer compromisso com o início do ciclo de cortes.