
- Tesouro prevê R$ 1,678 trilhão em financiamento em 2026, alta de 15% sobre 2025
- Custo das novas emissões sobe para 13,8% ao ano, pressionado pela Selic elevada
- Reservas de liquidez somam R$ 1,187 trilhão, cobrindo 7,3 meses de vencimentos
Sob o Governo Lula 3, o Tesouro Nacional elevou de forma relevante a necessidade de financiamento da dívida pública em 2026, com previsão de R$ 1,678 trilhão, alta de 15% em relação ao plano de 2025, segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF).
O volume exige emissões semanais próximas de R$ 33 bilhões para garantir o rollover integral dos vencimentos ao longo do ano.
Necessidade de financiamento cresce
Do total previsto para 2026, cerca de 41% dos vencimentos estão concentrados em títulos prefixados, somando R$ 636 bilhões, o que pressiona a estratégia de emissões ao longo do ano.
Além disso, o Tesouro projeta vencimentos de R$ 380 bilhões em títulos indexados à inflação e R$ 522 bilhões em papéis atrelados à taxa flutuante.
Mesmo assim, a expectativa oficial é manter a participação dos títulos pós-fixados abaixo de 50% da dívida, dando continuidade à diversificação observada em 2025.
Custo da dívida segue elevado
O custo médio da dívida pública acumulado em 12 meses subiu para 11,9% ao ano, ligeiramente acima dos 11,8% registrados em 2024.
Nas novas emissões, o custo é ainda maior e já alcança 13,8% ao ano, refletindo o patamar elevado da Selic.
Em 2025, o estoque da dívida federal cresceu cerca de R$ 1,55 trilhão, impulsionado por emissões líquidas e juros elevados.
Liquidez e investidores sustentam cenário
As reservas de liquidez encerraram 2025 em R$ 1,187 trilhão, suficientes para cobrir 7,3 meses de vencimentos, mantendo uma margem considerada confortável pelo Tesouro.
A parcela da dívida com vencimento em até 12 meses caiu para 17,5%, enquanto o prazo médio permaneceu estável em 4 anos.
Já os investidores estrangeiros mantiveram participação relevante, com 10,3% da dívida pública, praticamente estável frente aos 10,2% de 2024.