
- Suprema Corte derruba base legal de tarifas emergenciais
- Tarifa efetiva média pode cair para cerca de 12%
- A economia deve registrar impacto agregado limitado sobre o PIB
China, Índia e Brasil aparecem entre os principais beneficiados após a decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou parte das tarifas emergenciais impostas por Donald Trump. A medida reduz alíquotas médias aplicadas a exportações para o mercado americano.
Embora o governo já tenha sinalizado uma nova tarifa global de 15%, economistas apontam que a taxa efetiva média ficará menor do que no auge do chamado “Dia da Libertação”, o que diminui a pressão comercial no curto prazo.
Como ficaram as novas alíquotas
Segundo cálculos da Bloomberg Economics, a tarifa efetiva média pode cair para cerca de 12%, nível inferior ao registrado após abril. Na Ásia, estimativas do Morgan Stanley indicam recuo da tarifa média ponderada de 20% para 17%.
No caso da China, a alíquota média sobre produtos pode cair de 32% para 24%, após a derrubada também da taxa adicional relacionada ao fentanil. Para Brasil e Índia, o novo patamar melhora a competitividade relativa frente a outros parceiros comerciais.
Ainda assim, o alívio pode ser temporário, já que a Casa Branca avalia medidas setoriais para reconstruir parte do regime tarifário.
Quem perde vantagem competitiva
A nova tarifa geral de 15% altera o equilíbrio entre países. Reino Unido e Austrália, que haviam negociado alíquotas de 10%, passam a enfrentar condição menos favorável.
O Japão também perde vantagem relativa, pois anteriormente operava em faixa considerada competitiva de 15%. Canadá e México podem manter posição estratégica caso as isenções previstas no USMCA sejam preservadas.
Analistas do Goldman Sachs estimam que o aumento líquido da alíquota efetiva desde o início de 2025 deve cair de pouco mais de 10 pontos percentuais para cerca de 9 pontos percentuais, o que limita efeitos agregados sobre o PIB americano.
O impacto econômico deve permanecer contido
Economistas avaliam que o comércio global demonstrou resiliência ao longo do último ano. Assim, a redução parcial das tarifas tende a provocar ajuste marginal nas importações, sem choque estrutural imediato.
A expectativa é que parte do efeito negativo seja compensada por formação de estoques, recomposição de consumo e redirecionamento de fluxos comerciais.
Apesar da nova rodada de incerteza jurídica, o pico de tensão tarifária parece ter ficado para trás, ao menos no curto prazo.