
Em mais um indicador preocupante para a economia brasileira no terceiro ano do governo Lula, o déficit em transações correntes atingiu US$ 68,8 bilhões em 2025, o pior resultado nominal desde 2014 — ano marcado pela crise econômica no final do primeiro ciclo petista. Os dados, divulgados pelo Banco Central, mostram um rombo equivalente a 3,02% do PIB, ligeiramente abaixo dos 3,03% de 2024 (US$ 66,2 bilhões), mas com aumento nominal de cerca de 4% em relação ao ano anterior.
Déficit se aproxima de níveis vistos no Governo Dilma
O valor confirma uma tendência de piora iniciada nos últimos anos do atual mandato. Em 2023, primeiro ano de Lula, o déficit havia sido bem menor (cerca de US$ 28,6 bilhões ou 1,32% do PIB, dependendo da revisão), beneficiado pelo boom de commodities. Já em 2024 e 2025, o rombo cresceu significativamente, aproximando-se dos níveis críticos vistos no governo Dilma Rousseff, quando o déficit bateu US$ 110,5 bilhões em 2014 (4,5% do PIB).
As causas incluem a redução do superávit comercial (de US$ 65,9 bilhões em 2024 para US$ 59,9 bilhões em 2025), impulsionada por importações maiores em meio ao crescimento econômico, além de déficits persistentes em serviços (US$ 52,9 bilhões, com destaque para viagens internacionais que bateram recordes) e renda primária (US$ 81,3 bilhões, com remessas de lucros e dividendos estáveis em patamar elevado). O governo atribui parte do fenômeno ao “dinamismo da atividade econômica”, mas críticos veem aí o reflexo de políticas expansionistas, gastos públicos elevados e descontrole fiscal que pressionam a demanda interna, encarecem o câmbio e estimulam importações excessivas.
Enquanto o governo celebra o ingresso recorde de Investimento Direto no País (IDP) — US$ 77,7 bilhões em 2025, acima dos US$ 74,1 bilhões de 2024, financiando integralmente o déficit —, o quadro expõe vulnerabilidades. A projeção oficial aponta alívio para 2026 (déficit de US$ 60 bilhões e IDP de US$ 70 bilhões), mas a dependência de capital externo para cobrir rombos crescentes levanta alertas sobre sustentabilidade das contas externas em um cenário de juros altos e desaceleração global.
Sob Lula, o Brasil volta a conviver com déficits nas contas externas que remetem aos tempos mais difíceis do PT. Enquanto o governo prioriza gastos sociais como medida eleitoreira e intervencionismo, o setor produtivo e investidores observam com preocupação: o financiamento externo pode ser generoso hoje, mas o custo de uma reversão abrupta — via desvalorização cambial ou saída de capitais — seria pago pela sociedade. A história recente mostra que déficits crônicos não terminam bem.