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Transporte rodoviário pode atingir zero emissão líquida até 2050

O último veículo com motor de combustão interna deve ser vendido até 2038 para a frota global zerar as emissões líquidas até 2050; é necessário um plano de ação política urgente, especialmente para veículos comerciais pesados.

O setor de transporte rodoviário ainda pode atingir emissões líquidas zero até 2050, por meio da eletrificação, mas é necessário que legisladores e participantes do setor criem um plano de ação urgente. É o que aponta a mais recente Long-Term Electric Vehicle Outlook (EVO) anual da BloombergNEF (BNEF). Certos segmentos, como os e os veículos de duas e três rodas estão quase no caminho certo para emissões líquidas zero, mas não há espaço para complacência e são necessárias complementares para alcançar esse objetivo em outros setores, particularmente o de veículos médios e pesados.

“A janela para se manter no caminho certo para emissões zero do transporte rodoviário até 2050 ainda está aberta — mas apenas por pouco tempo. É necessário um grande impulso nos próximos anos por parte de governos, montadoras, fornecedores de peças e de infraestrutura de recarga”

Disse Aleksandra o’Donovan, head de veículos elétricos da BloombergNEF.

Long Term Electric Vehicle Outlook apresenta dois cenários para o crescimento do transporte elétrico até 2050, e verifica os impactos na demanda por baterias, materiais, petróleo, eletricidade, infraestrutura e emissões. O Cenário de Transição Econômica (ETS, na sigla em inglês), que pressupõe que nenhuma nova política e regulamentação seja promulgada, é impulsionado principalmente por tendências tecnoeconômicas e forças de . O segundo cenário investiga como seria uma rota viável para as emissões líquidas zero até 2050 para o setor de transporte rodoviário. O Cenário Net Zero (NZS) considera, principalmente, a como fator decisório sobre quais tecnologias serão implementadas para atingir a meta de 2050.

As vendas de veículos elétricos de (VE) devem crescer rapidamente nos próximos anos, passando de 6,6 milhões vendidos em 2021 para 21 milhões em 2025. A frota de VE nas ruas atingirá 77 milhões até 2025 e 229 milhões até 2030, com base no Cenário de Transição Econômica da BNEF. Isto é superior aos 16 milhões vistos no final de 2021 e reflete a notável história de sucesso dos VEs na transição energética atual.

À medida que o mercado de VE continua a crescer, a demanda por barris de petróleo já diminuiu em 1,5 milhões por dia. A maior parte desta redução é por conta dos veículos elétricos de duas e três rodas na Ásia, mas o aumento das vendas de veículos elétricos de passageiros pode elevar este número para 2,5 milhões de barris por dia até 2025. De acordo com as conclusões da BNEF, a demanda do transporte rodoviário por petróleo deve atingir o pico até 2027, à medida que a eletrificação se estende para todos os outros setores do transporte rodoviário além dos automóveis de passageiros. As vendas de veículos com motor de combustão interna já chegaram em seu ponto máximo em 2017. E a BNEF espera que a frota global de veículos de passageiros com motor a combustão comece a diminuir em 2024.

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Para a frota global seguir no caminho certo para atingir net-zero em 2050, veículos de emissão zero precisam representar 61% das vendas globais de novos veículos de passageiros até 2030, 93% até 2035 e o último veículo com motor a combustão de qualquer segmento deve ser vendido até 2038. O relatório também revelou que a tecnologia veículo para a rede (V2G) pode ajudar o setor de electricidade a poupar emissões de carbono, colaborando na geração de valor para os consumidores.

Colin McKerracher, head da equipe de avançados da BNEF e autor principal do relatório, afirmou:

“Os veículos elétricos são uma ferramenta poderosa na redução das emissões globais de CO2 pelo setor de transportes. Há muitos sinais positivos de que o mercado está se movendo na direção certa, mas ao mesmo tempo são necessárias mais ações complementares — especialmente quando se trata de caminhões pesados. Também é preciso concentrar-se nos mercados emergentes, que precisam de apoio financeiro para capacitar e acelerar a transição para a mobilidade elétrica de todos os tipos.”

De acordo com a BNEF, os países desenvolvidos e as instituições multilaterais devem incluir em veículos elétricos, incentivos e desenvolvimento de infraestrutura de recarga em seus planos internacionais de financiamento climático, disponibilizando capital para economias emergentes com planos confiáveis para desenvolver este setor. O financiamento concessional tem sido importante para garantir o desenvolvimento de geração de energia renovável em economias emergentes e pode desempenhar um papel semelhante no setor de VE.

A frota de veículos elétricos de passageiros deverá atingir 469 milhões em 2035 no Cenário de Transição Econômica. Porém, deve saltar para 612 milhões até a mesma data no Cenário Net Zero. Grande parte desta lacuna terá que ser preenchida em economias emergentes, enquanto os países mais ricos devem olhar para formas de apoiar a transição nesses mercados e evitar que aconteça uma desaceleração na adoção global de veículos elétricos.

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Se considerarmos os diferentes segmentos, os veículos de duas e três rodas e os ônibus já estão muito próximos do caminho necessário para alcançar o NZS da BNEF. No entanto, os veículos comerciais médios e pesados estão bem atrasados, e precisam de fortes medidas adicionais para atender a neutralidade de carbono. No Cenário de Transição Econômica, apenas 29% destes veículos alcançam emissões zero até 2050 — número distante da adoção total necessária para atingir o net-zero. Além de adotar padrões mais restritos para emissões de CO2 para caminhões, pode ser necessário que os governos considerem mandatos para a eletrificação das frotas (incluindo frotas de governos e transportadoras). Os governos devem considerar zonas de emissão zero nas cidades, e incentivos para impulsionar o frete em caminhões menores, que podem fazer a transição para eletricidade mais rapidamente do que os maiores.

O relatório também explora se as baterias ou células de são a solução atual para caminhões pesados e de longa distância. Até o fim da década de 2020, o uso de estações de recarga em escala megawatt e baterias de alta densidade energética resultarão em caminhões elétricos a bateria como uma opção viável para fretes pesados de longa distância, especialmente para casos de uso limitado por volume. A eletrificação direta por meio de baterias parece ser a abordagem economicamente mais atrativa e eficiente para a descarbonização do transporte rodoviário, incluindo caminhões, e deve ser realizada sempre que possível. Os veículos movidos a célula de combustível de hidrogênio podem ajudar a preencher as pequenas lacunas deixadas pela eletrificação em alguns veículos pesados, regiões ou ciclos de trabalho nos quais as baterias enfrentam maiores desafios.

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O relatório sugere ainda que, sempre que possível, é preciso buscar reduzir a dependência do uso do automóvel e estimular a preferência por transportes públicos, caminhadas, ciclismo, entre outros. Apenas uma redução de 10% nos quilômetros percorridos por até 2050 levaria a 200 milhões menos carros nas estradas, reduzindo as emissões cumulativas de CO2 em 2,25 gigatoneladas, o que alivia a tensão na cadeia de fornecimento de baterias e resulta em benefícios para as metas de descarbonização de longo prazo.

Os fabricantes de veículos elétricos vêem um mercado apertado de matérias primas para baterias nos próximos anos. A cadeia de fornecimento de baterias exigirá investimentos significativos de curto prazo para evitar uma crise no fornecimento. Ainda assim, o aumento do custo das baterias não vai prejudicar a adoção de veículos elétricos no curto prazo. Alguns dos fatores que estão impulsionando os custos elevados para matérias-primas de baterias — guerra, , juros altos — também pressionam o aumento do preço da gasolina e do diesel, que por sua vez incentiva o interesse dos consumidores por VEs.

Um resumo executivo abrangente com as principais conclusões e mais informações sobre a Long-term  Electric Vehicle Outlook pode ser encontrado em: Link.

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